segunda-feira, 24 de maio de 2010

GREVE d@s Estudantes de Ciências Sociais


@s estudantes de Ciências Sociais, reunid@s em Assembléia de curso na ultima quinta-feira, dia 20/05, decidiram entrar em GREVE POR TEMPO INDETERMINADO. A decisão é tomada tendo em vista que esse é o apoio mais efetivo que pode ser dado aos trabalhadores em GREVE, e também como medida de luta contra a terceirização do trabalho, contra a terceirização do RU Noturno, e pela reivindicação da pauta específica do curso e do campus.
Chamamos a tod@s à participar das atividades de Greve que serão realizadas durante a semana. Segue abaixo a programação:

PROGRAMAÇÃO DA GREVE

segunda- 20h: debate com Prof Tullo Vigevani e Adler Eduardo, com tema "A Luta das Estaduais".

terça- 17h: Discussão Aberta com os estudantes e os participantes do VII Seminário do Trabalho
           23h: "ManiFesta!” na faculdade

quarta- Ato na UNICAMP (em que ocorrerá reunião de negociação) - saída de ônibus da faculdade as 6h.

quinta- Discussão Sobre Educação com o Curso de Pedagogia (nos horários da manhã e da noite)
           19h: Assembléia de Ciências Sociais

sexta- 14h30min Congregação Aberta
           19h Filme e debate: "Pão e Rosas"

A participação de tod@s é fundamental!



Comando de Greve de Ciências Sociais

segunda-feira, 15 de março de 2010

Apoio do Centro Acadêmico de Ciências Sociais - Unesp Marilia aos companheiros da PUC-SP.

Nós, do CACS, nos colocamos em total apoio e solidariedade aos companheiros do curso de Ciências Sociais da PUC-SP, que se colocam em luta pela inclusão da licenciatura no curso e para que nós estudantes possamos tomar em nossas mãos os rumos de nossas grades curriculares. Entendemos a mobilização dos companheiros como um importante exemplo porque prioriza a discussão com todos os estudantes para que esses possam definir qual o conteúdo querem ter, e não que uma casta burocrática tome essa decisão.



Aqui em Marília, o curso de Ciências Sociais recentemente passou por uma reestruturação curricular. Esta por sua vez foi feita pelo alto, sem que os estudantes pudessem discutir de forma profunda para que serve a Ciências Sociais, ou qual o conteúdo queriam ter nas disciplinas. Não conseguimos travar uma luta para questionarmos os conteúdos do curso. Essa reestruturação se deu de forma totalmente burocrática, se pautando apenas por leis e por interesses de uma ínfima minoria de professores, o que habitualmente acontece dentro das Universidades antidemocráticas em que estudamos.



Diante disso, nós do CACS, colocamos a necessidade de questionarmos as grades curriculares do nosso curso, e acreditamos que é fundamental que todos as entidades tenham essa perspectiva. E portanto, a luta dos estudantes da PUC-SP, se coloca num marco muito importante, servindo de exemplo a todos nós estudantes.



É necessária uma discussão profunda sobre para que, e a quem, servem as Ciências Sociais. Basta de um conhecimento que esteja a serviço de produzir e reproduzir a ideologia dominante, ocultando as relações de opressão existentes em nossa sociedade! Lutemos por um conhecimento que seja uma ferramenta para a emancipação humana nas mãos dos trabalhadores e do povo pobre!



TODO APOIO A LUTA DOS ESTUDANTES DA PUC-SP!

QUE OS ESTUDANTES POSSAM DECIDIR O CONTEÚDO DE SEUS CURRICULOS!

POR UMA TRANSFORMAÇÃO PROFUNDA DE NOSSAS GRADES CURRICULARES!

QUE A UNIVERSIDADE ESTEJA A SERVIÇO DA CLASSE TRABALHADORA E DO POVO POBRE!

terça-feira, 2 de março de 2010

Calourada Paralela: o que a direção não quer que você saiba

Mas por que uma calourada paralela?

Durante o processo de organização da calourada oficial no fim do ano passado, a direção mostrou claramente qual seria seu objetivo: impedir o debate político que revela aos calouros o verdadeiro caráter da universidade. Como podemos entender, por exemplo, a negativa por parte de nossa diretora de trazer para uma das mesas de debate Brandão, demitido político da USP e um dos protagonistas da greve de 2009, alegando que este é um sindicalista e não tem nada a dizer para os estudantes?
Atitudes como essas partem de uma direção que desrespeita os estudantes ao prometer contratar funcionários e abrir o restaurante universitário à noite durante a greve e ocupação de 2009 e até agora não ter dado nenhum sinal de que o fará.
Nós, do Centro Acadêmico de C.Sociais, entendemos que, diante disso, organizar uma calourada paralela é tarefa do movimento estudantil combativo, aproveitando a oportunidade para debatermos com os calouros sobre a falta de democracia e sobre os milhares de jovens que não tiveram a mesma “sorte” de entrar na universidade pública.
Para que de fato construamos uma outra universidade é fundamental que lutemos pela independência política e financeira dos estudantes frente à burocracia universitária! Convidamos todos os estudantes, calouros e veteranos, a participar e construir uma calourada independente da direção.
Programação da Calourada Paralela
Segunda-feira (01/03): 19h. Ato pela democratização da universidade (concentração no saguão)

Terça-feira (02/03): 18h. Apresentação de vídeo sobre a moradia e debate sobre permanência estudantil

Quarta-feira (03/03): 18h. Democratização radical da universidade, debate com:
Brandão: dirigente do Sintusp (sindicato de trabalhadores da USP) e demitido político.
Jair Pinheiro: professor da FFC.
Del: estudante e funcionário da FFC.

Quinta-feira (04/03): 18h. Haiti: muito além de uma catástrofe natural, debate com:

Otávio Calegari: estudante da UNICAMP que presenciou o terremoto
Daniel Bocalini: estudante da FFC e integrante do Cacs

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Calourada 2010


Sejam bem-vindos!


Nós somos da gestão “Rosa Luxemburgo”, eleita no fim do ano passado para o CACS (Centro Acadêmico de Ciências Sociais). Gostaríamos de nos apresentar e levantar algumas rápidas reflexões sobre a universidade.

Você que acabou de passar pelo vestibular já se deu conta do caráter antidemocrático desta prova? Funciona como um “filtro social”, barrando acesso ao ensino público àqueles que não tiveram a oportunidade de se “preparar” por conta de sua condição social, ou seja, os filhos de trabalhadores e do povo pobre em geral!
Mas como você vai ver, a falta de democracia não fica só na porta de entrada, é parte do cotidiano das universidades. As eleições, a escolha de representantes e tudo o que diz respeito aos rumos da instituição segue uma mesma lógica absurda e arcaica na qual professores “iluminados” são mais sábios e capazes do que funcionários e estudantes para gerir a universidade.
Outra coisa que ficará bem clara após alguns dias: aquele papo de universidade enquanto “espaço superior da sociedade” ou “lócus privilegiado do conhecimento” não passa de papo furado daqueles que querem tudo como está. As relações sociais aqui dentro também são machistas, homofóbicas e racistas. O conhecimento? Mera reprodução, mais um instrumento bastante eficaz para ocultar tais relações opressoras ou então para servir a “iniciativa privada” e sua gana insaciável por lucro, em detrimento da maioria da população.
E aí, o que fazer diante desta realidade? Nós do CACS nos colocamos em luta aberta e declarada contra este estado de coisas. Junto a mobilização por melhores condições de ensino, contratação de professores e funcionários e permanência estudantil (moradia, bolsas, alimentação), lutamos pela democratização radical da universidade (tanto no acesso quanto na estrutura de poder) pelo fim do vestibular para que todos possam estudar; para que o conhecimento cumpra um outro papel e para que o movimento estudantil rompa seu isolamento e se alie aos oprimidos de nossa sociedade para transformá-la.
Essa entidade é de todos nós, e o espaço está aberto para a sua participação, suas opiniões e novas discussões que você possa trazer. Junte-se a nós por uma entidade combativa, faça parte dessa luta que também é sua.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Movimento Estudantil

CHAMADO PARA A REUNIÃO DE REORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL DA UNESP/FATEC

As entidades abaixo assinadas convocam todos os centros e diretórios acadêmicos, assim como todos os estudantes da UNESP/FATEC em geral, para participar da reunião de reorganização do nosso movimento estudantil. É importante a participação de todos os campi da UNESP e da FATEC para garantir que todas as posições e propostas sejam ouvidas.
Nesse ano, junto aos estudantes, funcionários e professores da USP e UNICAMP, teremos o desafio de continuar a a luta contra todas as medidas de precarização do ensino ( como a UNIVESP), em defesa da democracia na universidade, pela qualidade da permanência estudantil, na perspectiva de construir uma universidade realmente pública, gratuita, de qualidade e à serviço da grande maioria trabalhadora e pobre.

Pautas:
1) Construção do Conselho de Entidade da UNESP/FATEC (CEEUF) e discussão sobre a realização de nosso Congresso.

2) Reorganização e coordenação do movimento estudantil das universidades estaduais paulistas.

A REUNIÃO SERÁ DIA 06/02 às 10:00 da manhã, no espaço cultural ao lado da estação de metrô Vergueiro em São Paulo (capital).

Assinam esta convocatória:

Diretório Acadêmico “XVI de março” (UNESP RIO CLARO)
Centro Acadêmico de Pedagogia “Anísio Teixeira” (Unesp Marília)
Centro Acadêmico de Filosofia (Unesp Marília)
Comissão local da Moradia da Unesp Marília
Diretório Acadêmico da Unesp Presidente Prudente
Centro Acadêmico de Ciências Sociais ( UNESP MARÍLIA)
Rafael Borges (delegado de Franca no DCE UNESP/FATEC em 2008 e 2009)
KIM (delegado de Rio Preto no DCE Unesp/fatec)
Felipe Luiz (delegado de Marília no DCE Unesp/Fatec)
Babi (delegada de Rio Claro no DCE)
Diretório Acadêmico “Filosofia” (UNESP Rio Preto)
Centro Acadêmico Engenharia de Alimentos (UNESP Rio Preto)
Centro Acadêmico da Letras (Unesp Rio Preto)
Moção de Apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra


O centro acadêmico de Ciências Sociais da UNESP-Marília gestão “Rosa Luxemburgo” levanta todo seu apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) frente a repressão sofrida por parte dos seus integrantes na região de Iaras-SP.

Os trabalhadores do campo que sofrem os ataques diários do latifúndio e de seus capangas são cada vez mais perseguidos pelo Estado e pela mídia burguesa que só existem para a manutenção da desigualdade e da exploração.



O CACS entende que a luta dos estudantes pela real democratização da universidade e do restante da sociedade não se desliga e só pode ser efetivada na luta conjunta com os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade. As bases do latifúndio ecoam em todas as esferas do nosso país famigerando a imensa maioria para o privilégio de poucos.



Mais uma vez reforçamos a necessidade em impulsionar uma ampla campanha contra a repressão e perseguição levada adiante pelos setores mais reacionáios da sociedade brasileira. Lembramos que esta escalada repressiva atinge não apenas os companheiros do MST, mas o conjunto dos movimentos sociais, movimento estudantil combativo, tendo nos ataques ao Sindicato dos Trabalhadores da USP um de seus episódios mais emblemáticos.



Abaixo a repressão aos trabalhadores do campo!

Libertação dos militantes detidos!

Pelo fim da criminalização dos movimentos sociais!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Nota do CACS sobre o Haiti


Diante da catástrofe pela qual passa a ilha do Haiti temos que nos colocar a tarefa de analisar o que está por trás das noticias e imagens que assistimos no “espetáculo” que nos proporciona os grandes jornais todos os dias.

Muito para além de mais uma fatalidade, o Haiti vive hoje uma verdadeira catástrofe social. As conseqüências do forte terremoto que atingiu o país caribenho são fruto de muitos anos de intervenção imperialista na região. Não foi por acaso, e muito menos por incompetência dos haitianos como querem que acreditemos, que a primeira república negra do mundo se tornou um dos países mais pobres do mundo.

Nas últimas décadas, os interesses do imperialismo vêm sendo aplicados graças às duras imposições econômicas que o FMI e o Banco Mundial submetem ao povo haitiano. Desde 2004, as tropas da ONU garantem, através de forte ocupação militar liderada pelo exército brasileiro, que nada fuja aos planos de países imperialistas como os EUA e a França e de suas multinacionais instaladas ali para explorar a força de trabalho semi-escrava. E além de reprimir fortemente o povo haitiano, as tropas do exercito violentam sexualmente as mulheres haitianas.

Denunciamos o verdadeiro caráter da “ajuda comunitária internacional” após o terremoto: enquanto centenas de milhares de pessoas vagam pelas ruas a espera da comida que é jogada de helicópteros ou distribuída sempre em quantidades insuficientes, milhares de soldados fortemente armados fazem a segurança de armazéns e mercados repletos de mantimentos para evitar o saque dos “bárbaros” haitianos, garantindo assim a propriedade privada dessas mercadorias. A coalizão internacional liderada pelos EUA não quer simplesmente reconstruir o Haiti. Quer garantir que essa reconstrução sirva para perpetuar e reforçar os interesses de suas empresas e garantir a manutenção da ordem social estabelecida. Hoje o país caribenho está ocupado por dezenas de milhares de soldados, que transformaram o aeroporto de Porto Príncipe em uma base militar e controlam todas as estradas e o espaço aéreo do país.

Nos juntamos às entidades, sindicatos, organizações populares, partidos e movimentos sociais que hoje se colocam em campanha em solidariedade ao povo haitiano e pela imediata retirada das tropas da ONU e dos EUA do país!



Que o lucro dos capitalistas seja expropriado para amparar os atingidos e reconstruir o país!



Que os recursos sejam controlados pelos trabalhadores e organizações populares haitianas!



Pelo fim da dívida pública do Haiti!



Centro Acadêmico de Ciências Sociais da Unesp de Marília

Gestão Rosa Luxemburgo


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Haiti, que ajuda?

Por OMAR RIBEIRO THOMAZ e OTÁVIO CALEGARI JORGE
ESPECIAL PARA A FOLHA, EM PORTO PRÍNCIPE


O TERREMOTO no Haiti, que afetou de forma particularmente arrasadora sua capital, foi há cerca de uma semana. O pouco de um Estado já frágil foi destruído, a missão das Nações Unidas foi incapaz de ir além de resgatar seus próprios mortos e feridos, a ajuda internacional tarda, e o que vemos são haitianos ajudando haitianos.

Entre quarta-feira e sábado, caminhar pelas ruas do centro de Porto Príncipe e de Pétionville era observar o civismo dos haitianos que, muitas vezes, e como nós, sem entender claramente o que havia acontecido, procuravam cuidar dos feridos, resgatar aqueles que ainda estavam vivos sob os escombros, e dispor de seus mortos. O que vimos foi, de um lado, solidariedade, de outro a ausência quase que total e absoluta das forças da ONU e da ajuda internacional.

Por quê? Afinal, a Minustah não estava no Haiti há cerca de seis anos e não dizia estar agindo no sentido de estabilizar o país e reconstruir o Estado haitiano? Quando nos perguntávamos do porquê da demora de disponibilizar comida e remédios já no aeroporto de Porto Príncipe para as centenas de milhares de pessoas que se aglomeravam nos campos de refugiados improvisados por todos os lados, a resposta era que não existiam canais locais capazes de serem mobilizados para a tarefa.
Homens e mulheres que tinham vindo para ajudar, e as coisas que traziam, se aglomeravam num aeroporto controlado por forças militares americanas, como se de uma operação de guerra se tratasse.

Após seis anos no Haiti, aqueles que diziam que estavam ali para reconstruir o país, não tinham entendido nada, ou muito pouca coisa. Quando fomos às praças e campos de futebol transformados em campos de refugiados, eram as "dame sara", mulheres que controlam as redes comerciais existentes no país, que garantiam o acesso dos haitianos a produtos; eram aquelas que cozinham na rua, "chein jambe", que ofereciam galinha, espaguete, arroz, feijão e verduras aos haitianos e haitianas aglomerados; eram caminhões pertencentes a empresários locais que distribuíam água potável. Haitianos ajudando haitianos.

Por que não aproveitar esta energia e estas redes existentes para fazer chegar a ajuda? Por desconhecimento, talvez, ou talvez por duvidar de sua eficácia, ou da possibilidade de uma vítima ser mais do que uma vítima passiva à espera de ajuda.
O desconhecimento, no entanto, é duvidável. Em nossa visita ao batalhão brasileiro da Minustah, horas antes do terremoto, pudemos ver na apresentação do coronel João Bernardes um extremo conhecimento do funcionamento da sociedade haitiana. Infelizmente, a falta de ajuda parece estar mais ligada às disputas internacionais pelo controle do futuro do povo haitiano do que à emergência da situação.

Sim, os haitianos são vítimas, mas estão longe da passividade: pra cima e pra baixo, entre as "dame sara" e o "chein jambe", vimos jovens escoteiros removendo entulho, jovens pedido ajuda com alto-falantes, médicos haitianos dando atendimento aos feridos nas ruas, freira haitianas prestando os primeiros socorros quando possível. Paralelamente, o aparato da Minustah, cerca de 5.500 militares de diferentes nacionalidades, ou estava parado, ou mobilizado na atenção dos próprios quadros da ONU.
Os haitianos ajudam haitianos, a ONU ajuda a ONU.
Culpas internacionais

Duas reações foram recorrentes nos dias que se seguiram aos terremotos. Uma, talvez a mais primária, era a de responsabilizar a natureza. A outra, a de responsabilizar os próprios haitianos pelo caos que sucedeu ao cataclismo. Afinal, foram incapazes de construir um Estado e, por isso, são incapazes de reagir.

Ambas as reações são perversas. Não estamos só diante de um cataclismo natural, mas também de uma catástrofe social. E o desmantelamento do Estado haitiano não é responsabilidade exclusiva dos haitianos, muito pelo contrário. País com pouca margem de manobra no contexto caribenho ao longo das décadas de Guerra Fria, viu as grandes potências apoiarem uma ditadura regressiva e particularmente violenta; concomitantemente, e especialmente a partir do fim dos anos 1970 e ao longo dos anos 1980, o Haiti, como tantos outros países, foi vítima de profissionais engravatados que aplicavam a mesma receita em qualquer lugar: desregulamentaçã o, estado mínimo, livre comércio.

Foram as pressões do FMI e do Banco Mundial que obrigaram o Haiti a desproteger a produção de arroz no início dos anos 1980. O Haiti era, até então, autossuficiente em arroz.

Em pouco tempo não só se viu obrigado a importar este produto, como massas de camponeses foram expulsas do campo para a capital do país, aglomerando- se em habitações precárias, as mesmas que foram abaixo com o terremoto. Tal como ocorreu com o arroz, o cimento também foi afetado. Antes era produzido no país, e desde finais de 1980 foi importado dos EUA, o que obrigou os haitianos a fazerem uso de tijolos pobremente produzidos com areia. Tais tijolos são frágeis e acabam afetando a própria condição das construções. E podemos seguir adiante para demonstrar que o desmantelamento do Estado haitiano foi obra da "comunidade internacional" .

Somente uma crítica sistemática ao próprio caráter da ajuda internacional nas últimas décadas poderá ajudar o Haiti a sair de um atoleiro que não foi construído apenas por ele. O que pudemos observar, além da passividade da própria comunidade internacional, capaz de mobilizar mundos e fundos, mas incapaz de conversar com as "dame sara" para imaginar uma saída criativa para a distribuição da ajuda, foi um movimento mais do que preocupante.

Milhares de soldados americanos ocupam, mais uma vez, o país, como se houvesse uma situação de guerra civil, e o Brasil, já imerso há seis anos em toda essa lama, entra no circo das potências que querem "ajudar" o Haiti.

Sem termos presente o fato de que o Haiti é um país soberano, e que os haitianos não são vítimas passivas de catástrofes naturais, dificilmente sairemos do circulo de pobreza e miséria criada pela própria "comunidade internacional" , no qual o Brasil ocupa um trágico lugar central.


OMAR RIBEIRO THOMAZ, 44, é professor de antropologia da Unicamp;
OTÁVIO CALEGARI JORGE, 21, é estudante de ciências sociais na mesma universidade.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Nota em apoio à paralisação dos trabalhadores terceirizados da USP

No dia 11 de Janeiro, trabalhadoras e trabalhadores terceirizados da empresa Personal que presta serviço em diversas unidades da USP (Reitoria, ECA, Psicologia, CEPEUSP, entre outras.) paralisaram suas atividades para exigir da empresa o pagamento de salários atrasados, horas extras, adicional noturno e outros direitos..

Nos colocamos em completa solidariedade ao lado destes trabalhadores pelo imediato pagamento dos salários atrasados e contra qualquer tipo de repressão e retaliação por parte da empresa e da reitoria. Denunciamos ainda as péssimas condições de trabalho as quais estes trabalhadores são diariamente submetidos através de extensas jornadas de trabalho, de insuficientes condições de higiene e segurança, e através dos baixos salários que recebem, que em muitos casos chegam a ser menor que um salário mínimo.

Aproveitamos a oportunidade para convidar demais entidades estudantis, sindicatos, correntes políticas e movimentos sociais a levantar uma ampla campanha pelo fim da terceirização dentro e fora das universidades e pela imediata incorporação dos trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas sem concurso público. Entendemos que somente desta maneira conseguiremos levar adiante uma luta capaz de por fim a esta prática que aumenta cada vez mais nas universidades de todo o país e que visa dividir os trabalhadores para aumentar sobre eles a exploração.



Centro Acadêmico de Ciências Sociais da Unesp de Marília - Gestão "Rosa Luxemburgo"
www.cacsrosaluxemburgo.blogspot.com

Diretório Acadêmico da Unesp de Rio Claro - Gestão "Por uma questão de classe!"